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Professores avaliam positivamente estreia do Metro

Paola Oliveira
Estagiária de Jornalismo

Nesta terça-feira, 26, foi distribuída em Porto Alegre a primeira edição do Metro. O jornal, que é produzido em grandes cidades do mundo inteiro, será veiculado gratuitamente de segunda a sexta-feira.

Para a professora de Comunicação da Unisinos Denise Cogo, o jornal é importante por trazer pluralidade: ”Conheci o Metro em Barcelona. Acho que mais um meio de informação é sempre válido.” Denise diz que o jornal vai fazer concorrência por aqui. “O Metro tem o histórico de um jornal que possui informação de qualidade. E é gratuito”, destaca.

O professor do PPG em Comunicação da Unisinos Ronaldo Henn gostou do resultado e acha que, em sua primeira edição, o novo jornal de Porto Alegre cumpriu sua proposta: ”É pequeno, diversificado, para quem está em trânsito”.

Henn comenta que uma nova mídia é boa para todos. “Para o público, é bom por trazer novas perspectivas; para nós, jornalistas, é mais uma possibilidade de emprego.

A equipe do jornal Metro de Porto Alegre está sendo coordenada por Luís Grisólio e tem como editor-chefe Flávio Ilha, ex-repórter especial de Zero Hora; Maicon Bock, ex-Zero Hora e egresso de Jornalismo da Unisinos, é o subeditor; Mônica Kanitz está à frente da editoria de Cultura, e Walter Júnior é o editor de Esportes; A ex-fotógrafa do Jornal do Comércio Gabriela Di Bella fecha a equipe.

O Metro foi criado em Estocolmo, na Suécia, em 1995. Hoje, está presente em 22 países e 131 cidades; no Brasil, já era feito e distribuído em grandes cidades do Sudeste como São Paulo, Campinas, Santos, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de Curitiba.

Os jornais utilizam matérias nacionais e internacionais de outras edições do grupo, mas o conteúdo principal são sempre as notícias locais. A intenção é aliar informação rápida e de qualidade e atingir o público A e B.

Os principais pontos de distribuição serão o Centro e os bairros vizinhos.

O Grupo Bandeirantes, dono da marca no Brasil, divulgou, por meio de seu site, que a tiragem da primeira edição de Porto Alegre foi de 40 mil exemplares.

 

 


Chaves, 40 anos: “Foi sem querer querendo”

Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo

"Isso, isso, isso".


“Ninguém tem paciência comigo” e “Ai, que burro, dá zero pra ele” são alguns dos bordões que estão gravados na memória coletiva dos brasileiros. Foram pronunciados por um dos mais queridos personagens da televisão em todos os tempos: o menino pobre e órfão Chaves.

Após 40 anos de existência, o seriado mexicano e seus atores ainda mantêm fãs em todo o mundo. Em 29 de julho, Roberto Gómez Bolaños, o eterno Chaves, bateu recorde na Twitcam, ao falar sobre vários assuntos para mais de 40 mil seguidores. Os internautas fizeram perguntas a Bolaños, que respondeu prontamente. Questionado sobre quando virá ao Brasil, ele disse: “Eu amo o Brasil e quero muito ir ao país, mas no momento em que estou, mal de saúde, não posso, mas, quando melhorar e houver condições, vou fazer uma visita aos meus fãs brasileiros com maior orgulho.”

Muitos se perguntam o que faz com que Chaves ainda se mantenha no topo dos programas televisivos? Qual o segredo para tanta popularidade e aceitação?

Para a professora de Comunicação da Unisinos Cybeli Moraes, são diversos os fatores que contribuem para que Chaves continue a ser um programa de sucesso: “O seriado utiliza vários arquétipos, como o velho, a criança, o barrigudo, além dos jargões. A gente se reconhece nesse humor”.

Mesmo entre os fãs, há quem considere o seriado tosco. Isso não diminui a admiração. Ao contrário. “A simplicidade e a tosquice chamam a atenção das pessoas. O riso e o humor são culturais, e, quanto mais simples é o humor, mais fácil é de alcançar maior parcela da população”, afirma Cybeli.

Segundo a professora, Chaves já passou da posição de tosco: “Começa com tosco e torna-se cult, como Zé do Caixão e o filme Garota de rosa choque”. Cybeli arrisca a dizer que daqui a 15 anos, talvez o filme Crepúsculo torne-se cult.

Silvio apresenta Chaves para o Brasil

A história de simpatia e fidelidade entre o personagem e os telespectadores começou há 40 anos, em 20 de junho. A figura de El Chavo del ocho foi criada no México pelo produtor, roteirista, ator e humorista Roberto Gómez Bolaños. Interpretado pelo próprio Bolaños, El Chavo apareceu pela primeira vez como um esquete do programa Chespirito, produzido pela Televisión Independiente de México e transmitido no canal 8 do México (daí o “ocho” do nome original).

As aventuras do humilde Chaves e dos outros moradores de uma vila fictícia cativaram tanto o público que, em 1972, se tornou uma série com duração de meia hora, exibida semanalmente. El Chavo foi transmitido pela emissora mexicana até 1980. Porém, até 1992 ainda se faziam curtas para o programa Chespirito.

Tamanha popularidade rendeu a Chaves o título de show mais assistido da televisão mexicana na década de 1970, alcançando o número de 350 milhões de telespectadores. Em toda a América Latina, além de Espanha, Estados Unidos e Brasil os índices de aceitação do seriado foram altos.

Em 1984, a emissora de Silvio Santos, o SBT, não tinha muitos recursos para preencher a grade de programação. Então, fez uma parceria com a Televisa, antiga Televisión, importando filmes, telenovelas e séries com valor mais acessível. Desde então o programa e sua música tema, Aí vem o Chaves, passaram a ser apresentados pelo canal brasileiro. Nascia ali um dos maiores fenômenos da televisão nacional.

As histórias de Chaves e sua trupe fizeram com que o SBT tivesse por várias vezes o maior número de telespectadores da TV. Até hoje, sempre que a emissora de Silvio parece estar ameaçada pelos outros canais, Chaves é usado como estratégia para alavancar a audiência. Em 17 de junho o seriado ultrapassou a pontuação de dois telejornais da TV Globo, na cidade de São Paulo.

“Meus filhos também assistirão, com certeza”

No Brasil, mesmo com as diversas mudanças de horários e as reprises dos episódios, a série ultrapassou gerações, conquistou novos fãs, mas sempre manteve a simpatia dos antigos. É o caso da estudante de Jornalismo da Unisinos Natacha Kötz, 24 anos, que desde criança assiste ao seriado.

“Realmente, não lembro de um período da minha vida em que eu tenha ficado sem assistir Chaves. No ano em que nasci, ele já era exibido pelo SBT, e é nessa emissora que assisto até hoje. Claro que, atualmente, tenho a possibilidade de fazer downloads de episódios que nunca foram ao ar na TV aberta brasileira. A internet facilitou a vida dos CHmaníacos”, afirma.

Natacha acha difícil responder se realmente são engraçados todos os episódios ou se aquilo foi algo que ficou marcado da época de infância: “Não sei se é porque realmente gosto ou se é por causa da sensação nostálgica que me causa. Reparei que, quando criança, ria menos. Hoje eu adoro! Choro de rir com os episódios, mesmo já sabendo o que está por vir”, explica.

A estudante comenta que, atualmente, o personagem que mais a diverte não é o Chaves, e sim o Quico. “Acho engraçada a inocência e aquele jeito meio sonso dele. Mas os personagens do Ramón Valdés (Seu Madruga), do Edgar Vivar (Seu Barriga) e da Angelines Fernández (Dona Clotilde) são incríveis! Os atores são muito bons. Até hoje procuro filmes em que o Edgar Vivar esteja no elenco. Dá uma emoção danada!”, empolga-se.

Pablo Furlanetto, 24 anos, estudante do 8º semestre de Jornalismo, assiste ao seriado desde os cinco anos, embora, hoje, com menos frequência. “É mais difícil, em virtude do horário que passa e também por eu ter muito mais compromissos do que quando era criança e adolescente. Acompanho mais pelo YouTube”, comenta. “É um humor inteligente, diferente do que encontramos hoje. Chaves é genial. Meus filhos assistirão, com certeza. O humor simples e inteligente talvez explique o sucesso. Com os recursos pífios que a produção contava, o que valia mesmo era a criatividade”.

Sobre seu personagem favorito, Furlanetto não hesita: “Seu Madruga, com certeza.” Para ele todos eram bons, mas Seu Madruga sempre se destacou.

Quase unanimidade entre os fãs, os episódios em que a turma do Chaves passa o final de semana em Acapulco também são os preferidos de Furlanetto e Natacha. “É o que mais gosto e lembro. Creio que seja o mais famoso de todos os episódios, o mais lembrado pela maioria”, diz Furlanetto. “Talvez porque saia um pouco da rotina da Vila”, comenta Natacha.

Quem é quem

Chaves narra as histórias que envolvem o órfão que dá nome ao seriado. Ele mora em uma vila, com alguém que o público nunca fica sabendo quem é. Da mesma forma, com o seu verdadeiro nome. Sempre que está prestes a falar, o garoto é interrompido por um dos outros personagens. Seu esconderijo fica dentro de um barril.

Ao lado dos amigos Chiquinha (María Antonieta de Las Nieves) e Quico (Carlos Villagrán), Chaves (Roberto Gómez Bolaños) vive grandes confusões. Seu Madruga (Ramón Valdés), Seu Barriga (Edgar Vivar), Professor Girafales (Rubén Aguirre) e Dona Clotilde (Angelines Fernández Abad) – também conhecida pelas crianças como Bruxa do 71 – muitas vezes tornam-se vítimas das suas brincadeiras. Por consequência dos tumultos, Seu Madruga quase sempre acaba apanhando injustamente de Dona Florinda (Florinda Meza García), a mãe de Quico.

Além das histórias em torno das crianças, o seriado mostra também o amor platônico de Dona Clotilde por Seu Madruga e o amor correspondido e tímido de Dona Florinda e Professor Girafales.

O seriado também apresenta as travessuras de Seu Madruga para se livrar do aluguel – com 14 meses de atraso – a Seu Barriga.

Alguns atores interpretam dois personagens: María Antonieta de Las Nieves, intérprete de Chiquinha, também faz o papel da bisavó da menina, Dona Neves; Edgar Vivar, o Seu Barriga, também encarna Nhonho, filho de Barriga; Florinda Méza García, que dá vida à Dona Florinda, também pode ser vista como a metidinha Pópis.

Entre os personagens, ainda aparecem o carteiro Jaiminho (Raúl Padilla), sempre “tentando evitar a fadiga”, e Godínez (Horácio Gómez Bolaños), sempre assobiando nas cenas de sala de aulas.

A boa vizinhança

Após o sucesso no México, a série passou a ser apresentada em diversos países como Angola, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, China, Costa Rica, Equador, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Honduras, Itália, Japão, Nicarágua, Portugal, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

As histórias, aventuras e confusões da família Chaves também foram lançadas em gibis, desenhos e discos. É difícil encontrar alguém que não conheça pelo menos uma parte de alguma canção da série. No Orkut, mais de 80 páginas citam o personagem Chaves.

A turma do Chaves em desenho animado.

Até mesmo o Festival da Boa Vizinhança que ocorre no seriado, tem sido realizado no Brasil, na cidade de São Paulo. O evento é um grande encontro de fãs dos personagens Chaves e Chapolin – programa também produzido por Bolaños, com quase todos os atores de Chaves. Promoção do Fã-Clube Chespirito-Brasil, a primeira edição, em 2005, contou com a presença de aproximadamente oito mil pessoas. O evento teve exibição de episódios raros, bate-papo com os dubladores, além de concurso de fantasias e comidas típicas, como os tradicionais churros e sanduíches de presunto, que aparecem no seriado.

O grande sucesso fez com que o Fã-Clube firmasse uma parceria com a KS Produtora para a segunda edição, realizada em 2010, com a presença do Senhor Barriga (Edgar Vivar).

Ainda em 2010, foi lançado o livro Seu Madruga – Vila e obra, escrito por Pablo Kaschner, mesmo autor de Chaves de um sucesso. A obra apresenta curiosidades sobre o personagem, fotos inéditas, ilustrações e uma entrevista fictícia com Seu Madruga, além de entrevistas com as filhas de Don Ramon e com o dublador do personagem.

Em 28 de maio, aos 82 anos, Roberto Gómez Bolaños criou seu perfil no Twitter com o nome de @ChespiritoRGB (como é conhecido no México). Em pouco tempo a notícia se espalhou, e o número de seguidores cresceu de um dia para o outro. Atualmente são mais de um milhão, e a cada dia mais fãs aderem ao perfil do humorista e ator. O primeiro tweet dizia “Hola. Soy chespirito. Tengo 82 años, y ésta es la primera vez que tuiteo. Estoy debutando. ¡Síganme los buenos!”. Desde então, tem conversado quase que diariamente com os fãs internautas.

Em programação especial para comemorar os 30 anos do SBT, a emissora vai fazer um remake de Chaves com atores brasileiros, nas seguintes atuações: Marília Gabriela (Dona Florinda), Ratinho (Seu Barriga), Marlei Cevada (Chiquinha), Zé Américo (Quico), Carlos Alberto de Nóbrega (Professor Girafales), Christina Rocha (Dona Clotilde), Felipe Levoto (Seu Madruga) e Renê Loureiro (Chaves).

Histórias inéditas

Desde o início de agosto, o SBT vem exibindo no Brasil episódios inéditos de Chaves, que eram conhecidos como “episódios perdidos” e viviam como curiosidade no imaginário dos fãs. Esses capítulos não teriam sido levados ao ar por se tratarem de histórias semelhantes a outras já conhecidas ou por terem falhas técnicas nas fitas importadas do México.

O público pode conferir, entre as reprises, alguns desses episódios (confira horários abaixo).

Por onde andam?

Depois que as gravações dos seriados Chaves e Chapolim chegaram ao fim, cada ator seguiu seu caminho, sem realizações de outros trabalhos em conjunto.

Roberto Gómez Bolaños (Chaves), 82, atualmente vive em Cancun, ao lado da esposa, Florinda Meza (Dona Florinda/Pópis), 63. Os dois se casaram após 27 anos de companheirismo. Ela trabalha como diretora, produtora de peças teatrais e novelas, também é escritora, dançarina e cantora.


 

 

Carlos Villagrán (Quico), 67, mora em Guadalajara, no México, e apresenta seus shows em circos, em países como Peru, Colômbia e Argentina. No México, não pode interpretar seu mais famoso personagem, o Quico, mesmo tendo os direitos autorais da série no país. Há anos está em disputa com Roberto Bolaños. Também desempenha a função de comentarista esportivo na imprensa mexicana.


 

Maria Antonieta de Las Nieves (Chiquinha/Dona Neves), 60, foi proprietária de um circo até 2003. Atualmente trabalha como atriz de novelas e interpreta a personagem Chiquinha em seu próprio show – após ter ganho na justiça, em disputa com Bolaños, o direito de continuar a interpretar a personagem. Participou de algumas novelas no México e em outros países e gravou 17 álbuns infantis como Chiquinha.


 

Ramón Gómez Valdéz y Castillo (Seu Madruga) faleceu em 1988, vítima de câncer no pulmão. Fumante, ele tinha 64 anos e deixou saudades nos fãs, que o tinham como um dos mais queridos do seriado.


 

 

Edgar Vivar (Seu Barriga/Nhonho), 66, ainda exerce a profissão de ator. Atuou em novelas e filmes. O trabalho mais recente  foi na série americana Tempo final, da Fox.


 

 

Rubén Aguirre Fuentes (Professor Girafales), 77, vive no México com a esposa Consuelo Aguirre e os sete filhos. Desde 2007, está fora da mídia devido a um acidente de carro.


 

 

Angelines Fernández Abad (Dona Clotilde) faleceu em 1994, aos 71 anos, de câncer.


 

 


Raúl Padilla
(Jaiminho) morreu em 1994, aos 75 anos.


 

 


Horacio Gómez Bolaños
(Godínez) morreu em 1999, aos 69 anos, vítima de um infarto. Era irmão de Roberto Gómez Bolaños.


 

 

Curiosidades

O personagem Girafales existe há mais tempo que o personagem Chaves. Ele fazia parte do programa Los supergénios de la mesa cuadrada, em que Roberto Gómez Bolaños interpretava o Dr. Chapatín. No entanto, foi um dos últimos personagens secundários a entrar para o seriado.

A última aparição de Quico foi nas gravações dos episódios de Acapulco, em 1978. A canção Boa noite, vizinhança, que é tocada no terceiro e último capítulo de Acapulco, foi composta pelo próprio Bolaños, em homenagem ao então amigo Carlos Villagrán (Quico).

Para quem duvidava, a cidade do carteiro Jaiminho, Tangamandápio, realmente existe. No entanto, é um vilarejo localizado na cidade de Cuernavaca, no México.

Os bordões

Além das famosas frases de Chaves, vários dos outros personagens também têm jargões que marcaram o público. Confira:

Seu Madruga – “Tinha que ser o Chaves mesmo”; “Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar”; “Que que foi, que que foi, que que há?”.

Dona Florinda – “Vamos, Tesouro! Não se misture com essa gentalha”; “Que milagre o senhor por aqui!” e “Não gostaria de entrar para tomar uma xícara de café?” (para o professor Girafales).

Pópis – “Eu vou contar tudo pra minha mãe!”; “Conta tudo pra sua mãe”.

Chiquinha – “Sim! Pois é, pois é, pois é!”; “Ai, Chaves, o que você tem de burro, você tem de burro!”; “Ai, Chaves você só não é mais burro por falta de vitaminas”.

Quico – “Você vai ver, eu vou contar tudo pra minha mãe”; “Sim, mamãe! Gentalha, gentalha!”; “Você não vai com a minha cara?”; “Ai, calem-se, calem-se, calem-se, vocês me deixam loooouco!”; “Diz que sim, diz que sim, vai… Siiiim?”.

Seu Barriga – “Tinha que ser o Chaves!!”; “Toda vez que eu chego na vila sou recebido com uma pancada”.

Nhonho – “Olha ele hein! Olha ele hein! Olha ele…”

Professor Girafales – “Tá! Tá! Tá! Tá! Táá!”; “Quero saber por que causa, motivo, razão ou circunstância…”; “Vim lhe trazer este humilde presente” e “Não seria muito incômodo?” (para Dona Florinda).

Dona Clotilde – “Como disse?”; “Pois tanto melhor”.

Para ver

Atualmente Chaves é exibido no SBT (desde 1984) e no Cartoon Network (desde 2010). No SBT, vai ao ar diariamente, em diferentes horários: de segunda à sexta-feira, às 13h45min e às 18h. No sábado, às 6h, às 13h45min e às 19h15min. No domingo, às 9h. O Cartoon Network exibe El Chavo (com versões em português e espanhol) todos os dias. Durante a semana, às 9h30min e às 20h. No sábado, às 10h e às 20h. No domingo às 11h.


TCC: confira os horários das bancas de avaliação

 Lílian Stein
Estagiária de Jornalismo

A partir da próxima segunda-feira, 20, começam a ser avaliados os alunos de Comunicação da Unisinos que finalizaram seus Trabalhos de Conclusão de Curso em 2011/1. As bancas, compostas pelo professor orientador e outros dois professores convidados, seguem até 7 de julho. Confira a programação.

Bancas começam na segunda-feira, 20, e vão até 7 de julho

A lista dá conta da programação dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Letras. Datas e horários podem sofrer alterações por conta de indisponibilidade de algum dos avaliadores. As bancas são abertas ao público e o comparecimento como ouvinte vale hora complementar para alunos do curso.

Preparação

O Manual do TCC, disponibilizado pela coordenação dos cursos de Comunicação, dá dicas para se preparar e enfrentar esse momento tão importante com mais tranqüilidade.

Durante a apresentação para a banca, o aluno deve mostrar que tem domínio do seu trabalho. Em reportagem anterior do Portal3, a egressa do curso de Jornalismo da Unisinos Bárbara Keller relembrou a preparação para o momento: “Na minha apresentação, usei tópicos para lembrar o que iria falar, mas não fiquei lendo, é preciso saber de cor”, disse.

Bárbara garantiu que dominar o conteúdo é extremamente importante na hora da apresentação – a preparação do aluno fica evidente principalmente no momento das perguntas feitas pela banca: “Você precisa estar confiante, defender o seu trabalho e tudo o que está escrito nele.”


Quando a sétima arte não é original

Marina Cardozo
Estagiária de Jornalismo

O mercado cinematográfico atual recebe lançamentos a todo tempo, e a maior fábrica de cinema do mundo, Hollywood, parece ser uma fonte inesgotável de idéias. Histórias de fantasia, suspense, terror, comédia, drama, baseadas em fatos, livros, séries, histórias em quadrinhos. A tela grande é sempre ocupada por enredos diferentes – ou nem tanto.

O ano de 2011 promete marcar um novo recorde em Hollywood: nunca foram produzidas tantas sequências de filmes de sucesso. Segundo levantamento do site BoxOfficeMojo, o número é de 27 continuações, o que representa 20% da produção total, e bate a marca anterior, de 23 filmes, em 2003. O número de adaptações – de livros, games, HQs, etc – também é bastante alto, ultrapassando 40 produções só esse ano.

Para 2012, já estão previstos filmes como Os vingadores, baseado nos quadrinhos da maior superequipe da Marvel, e O hobbit, adaptação do livro homônimo de J. R. R. Tolkien, além das sequências das séries Homens de preto, Madagascar e A era do gelo.

“De uma década para cá, os estúdios começaram a investir em franquias pré-planejadas, como Harry Potter e O senhor dos aneis”, diz Milton do Prado, professor do curso de Realização Audiovisual da Unisinos. “Junto ao apelo a velhas fórmulas, que já deram certo, o aumento das sequências também indica, em geral, uma crise de criatividade no cinema.”

O que é a adaptação no cinema

Adaptação é a transposição de um conceito a outro, sem que seja alterada a essência da história. No caso do cinema, é realizar a trama de uma série, um livro, uma história em quadrinhos, um game, entre outros, em linguagem cinematográfica. Há diferenças expressivas entre uma história de um livro, por exemplo, e a de um filme. Por isso o processo é chamado de adaptação, e não de cópia.

Ryan Reynolds como Lanterna Verde

Fernando Marés, roteirista do longa Netto perde sua alma, afirma que os estúdios sempre preferiram histórias já reconhecidas pelo público: “Desde os Nickelodeons (salas de cinema muito comuns nos Estados Unidos no início do século XX. O ingresso custava um níquel) compravam os direitos de adaptação de obras literárias e as vezes só usavam o título e o tema. São investimentos mais seguros.”

Uma característica da linguagem do cinema é que toda a informação deve ser mostrada visualmente e sonoramente, ao contrário do livro, que é descritivo e exige muito mais da imaginação do leitor.

Cada pessoa que lê uma frase de um livro imagina o cenário, o personagem, a ação de maneira diferente. Assim como os leitores, diretores, quando adaptam obras para o cinema, também interpretam a cena à sua maneira. É quase impossível que o pensamento do diretor esteja em perfeita sintonia com o dos leitores. Sendo assim, é natural que o leitor se decepcione ao ver a adaptação de uma história que leu, pois a imaginou de forma diferente.

Chris Evans como Capitão América

O tempo do filme também influencia na transposição. Cada leitor tem um ritmo de leitura e considera certas partes do livro mais do que outras. A trama completa não pode ser colocada em filme, ou, no caso de livros longos, espectadores ficariam horas e horas nas salas de cinema. O diretor seleciona as partes que considera as mais importantes para ter lugar na produção.

A série de livros Harry Potter, por exemplo, é composta por histórias bastante extensas, repletas de detalhes. A quinta obra, a mais extensa de todas, com 702 páginas na versão em português, foi condensada em pouco mais de duas horas de filme. Diversas partes foram cortadas para que a trama não se estendesse demais na tela.

Para Marés, a maior dificuldade em fazer um roteiro adaptado é se desligar do material original: “É muito difícil se desprender e assumir a história como se fosse uma narrativa original própria, porém, preservando a essência da história.”

Algumas adaptações que serão lançadas em 2011:

Lanterna verde – 17/06
Harry Potter e as relíquias da morte – parte II – 15/07
Capitão América 29/07
Cowboys & aliens– 12/08
As aventuras de Tintim 11/11

E as franquias…

Quando um filme faz muito sucesso, é quase esperado que ele tenha uma continuação. As grandes vantagens das sequências no cinema são o lucro com as bilheterias e produtos relacionados ao filme, além da economia na divulgação da produção. A continuação não precisa de tanta propaganda, uma vez que publicidade já foi feita para a primeira obra. O público já conhece o personagem e a série de longas já tem fãs fieis, o que aumenta as chances de o novo filme ser visto. Essas séries de filmes sobre o mesmo personagem ou que continuam uma história em várias produções são chamadas de franquias.

Pôster de Se beber, não case 2

Ulisses Costa, cineasta e professor de cinema, destaca que a maior vantagem das franquias é o retorno financeiro: “Franquias cinematográficas nunca foram novidade no cinema, e há algumas muito longevas e bem-sucedidas, como o caso de James Bond”, diz. “Entretanto, devido ao aumento exponencial de custos dos filmes de Hollywood nas últimas duas décadas, a necessidade de garantir esse retorno é maior.”

As franquias mais lucrativas de todos os tempos são Harry Potter, com sete filmes – prestes a lançar o oitavo – e 6,3 bilhões de dólares arrecadados ao redor do mundo; James Bond, com 23 filmes e mais de 5 bilhões de dólares, e Star wars, oito filmes e US$ 4,4 bilhões em bilheteria.

Em voga atualmente estão as franquias baseadas em histórias em quadrinhos, que têm ainda a vantagem de o personagem já estar no imaginário coletivo antes do lançamento do filme. Este tipo de série de filmes une a franquia à adaptação, o que resulta em mais divulgação gratuita.

Pôster do quarto filme da série Piratas do Caribe

“Há uma insistência em criar franquias cinematográficas em cima de ‘marcas’ já conhecidas de outras mídias,como livros, quadrinhos, séries de TV e até mesmo brinquedos”, diz Costa. Ele acrescenta: “Não é à toa que há um movimento de ressurreição de séries já consagradas no passado, como são os recentes casos de Rise of the Planet of Apes, Conan, Robocop, todos para estrear nos próximos anos.”

Homem aranha, por exemplo, já tem três filmes de sucesso com Tobey Maguire no papel principal. O quarto filme já está sendo rodado, mas com outro protagonista. Mesmo com mudanças, a série conquistou seu público fiel junto aos fãs das histórias em quadrinhos do herói. A aprovação do novo elenco por Stan Lee, o criador do personagem, deu ainda mais credibilidade à nova produção.

Algumas continuações com lançamento previsto para 2011:

Transformers 3 – 01/07
Carros 2 24/06
Piratas do Caribe 4: navegando em águas misteriosas – 20/05
Se beber não case 2– 27/05
Sherlock Holmes 2 – 16/12

E onde ficam os originais?

Com tantas produções adaptadas e continuações de outros filmes – ou as duas coisas juntas – as tramas originais parecem escassas. Uma nova ideia, porém, pode mudar isso. A 20th Century Fox anunciou o lançamento de um programa com o objetivo de recrutar novos roteiristas para desenvolver conceitos originais.

Em comunicado à imprensa, o estúdio confirma a proposta de buscar idéias novas: “A iniciativa será dedicada à criação de ideias originais (não novas versões de roteiros existentes ou desenvolvimento de títulos de arquivo) por roteiristas emergentes”, diz o release.

O projeto, conduzido pelo ex-vice presidente da Chernin Entertainment, Nicholas Weinstock, e pelo ex-vice presidente de desenvolvimento da Lucasfilm, Steve Tzirlin, será subordinado diretamente à presidente de produção da Fox, Emma Watts. Serão dez roteiristas contratados, cinco para comédia, coordenados por Weinstock, e cinco voltados à ação e aventura, com apoio de Tzerlin.

Para Prado, a ideia é interessante. “É ótimo para quem quer entrar no mercado”, afirma o professor. “Mas não acho que vá mudar muito. O problema dos grandes estúdios não são os roteiristas, são os donos”, diz. “Eles não se interessam por cinema, apenas pelos números”, sublinha.


Como fazer o TCC e não enlouquecer

Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo

Você faz o vestibular, é aprovado e ingressa na vida acadêmica. Depois de muitos trabalhos, provas e alguns anos de estudo é chegada a hora de dar início ao temido Trabalho de Conclusão de Curso, popularmente conhecido como TCC.

Até mesmo o mais tranquilo dos estudantes fica ansioso diante de tal missão. Alguns dizem que é um trabalho como outro qualquer, com a diferença de que é apresentado para mais de um professor ao mesmo tempo. Para outros, o TCC é um verdadeiro tormento.

Pensando na angústia pela qual passam muitos alunos, o Portal3 foi atrás e ouviu professores e ex-estudantes em busca de dicas e orientação, com o objetivo de auxiliar os desesperados na melhor maneira de construir o seu trabalho. E descobrimos que, quando bem organizado, o TCC nem sempre é um bicho-de-sete-cabeças.

Dicas

Para que o trabalho tenha um bom andamento e o aluno possa usufruir bem o período, é preciso ter em mente algumas ideias.

Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) da Unisinos Fabrício Lopes da Silveira, é importante que o estudante saiba bem o que quer. Para aqueles que estão matriculados em TCC I, antes de tudo, o professor aconselha conversar bastante com os professores e colegas.

Após o diálogo, é necessário manter a organização. “É preciso confirmar o interesse, verificar se o assunto é provocante, estimulante. Pode ser, por exemplo, sobre o que mais lhe chamou a atenção durante o curso”, explica Silveira. O professor salienta ainda que é importante também que o tema já tenha foco, um bom recorte e uma boa delimitação.

Para dar início ao trabalho, Silveira diz ser fundamental a procura por estudos e bibliografias relacionados ao tema. “É preciso ter uma noção de referenciais. Não precisa ser muito extenso, três ou quatro livros já são suficientes para começar”, avalia.

O professor lembra ainda que a persistência também é importante. Uma das primeiras preocupações de quem vai fazer o TCC I é manter o projeto até o final e tentar aprimorá-lo. “O aluno deve aproveitar ao máximo o projeto construído”, explica.

No entanto, não são apenas os estudantes de TCC I que têm dúvidas. Muitos alunos chegam ao final do curso sem ideia para o tema do trabalho, às vezes até já matriculados em TCC II. Por vários motivos, não são raros aqueles que trocam de assunto várias vezes, ficando, assim, sem um trabalho definido. “Esses casos são mais graves”, destaca Silveira. Segundo o professor, é importante para o aluno que chega em TCC II com dúvidas que consiga descrever os materiais concretos que se quer trabalhar, como filme ou programa de TV.

Experiências

Para aqueles que já ultrapassaram os processos de desenvolvimento de TCC e apresentação na banca é mais fácil definir as questões que são importantes durante a construção do trabalho. Entre elas está a jornalista Bárbara Keller, formada recentemente pela Unisinos. Ela contou ao Portal3 um pouco de suas experiências com o “terror” de quase todos os estudantes: o TCC.

Uma das primeiras coisas que o aluno deve pensar é na escolha do orientador. Para Bárbara, isso, muitas vezes, pode ser considerado um fator determinante para a boa construção do trabalho. Ela acredita que a definição do orientador antes de começar a construção do TCC pode influenciar positivamente ou não. “É sempre bom pedir sugestões de professores e colegas para achar um orientador que entenda do objeto de estudo proposto pelo aluno”, sugere.

Segundo Bárbara, uma das principais questões que deve estar na mente dos alunos que estão próximos de realizar o trabalho é elaborar um projeto que dê prazer em fazer pesquisas, buscar leituras. “Pensei que seria mais fácil fazer um TCC sobre um assunto que fosse do meu interesse, do qual gostasse, por isso pensei em cinema e literatura e, a partir daí, elaborei o projeto”, conta.

Bárbara explica que, mesmo tendo o tema perfeito para o trabalho, algumas vezes é necessário modificar determinados detalhes para dar mais foco ao objeto de estudo. “Fiz pequenas alterações, alguns ajustes e foquei mais. Mas não abandonei o projeto, assim, pude começar o trabalho já com algum material e referencial teórico pronto, não precisei começar do zero”.

Desenvolvimento

Sobre a forma de organização, a dica da jornalista é que cada um deva buscar a que lhe for mais agradável. “A maneira que encontrei foi focar primeiro na estrutura do trabalho, quantos capítulos queria ter e quais seriam eles. A partir daí, iniciei as leituras sugeridas pela orientadora e por meio da pesquisa bibliográfica que já tinha feito na disciplina de projeto”, explica. A cada livro que Bárbara lia, mesmo que fosse só parte dele, ou alguns capítulos, fazia uma ficha de leitura. As fichas de leitura foram o jeito mais fácil que ela encontrou para se organizar. “Ao mesmo tempo que parecia que não tinha nada escrito, tinha um material extenso, sobre todas as leituras, e só precisava ‘jogar’ aquilo dentro do trabalho e organizar as ideias com as minhas palavras, com o meu entendimento sobre o assunto”, conta.

Mesmo com as diversas atividades do dia a dia e das aulas, é possível produzir um bom trabalho. Bárbara diz que, além de escolher um tema que seja do agrado do aluno, é fundamental fazer e entender as leituras.

“Outro passo é escrever de forma clara e objetiva, expressar as ideias sem enrolação e sem necessariamente fazer uso de palavras difíceis. Não é isso que torna um trabalho bom ou não”, salienta Bárbara. Para a jornalista, o TCC precisa estar bem escrito, o leitor precisa entender qual é o objetivo. Também é importante ouvir e aceitar as críticas do orientador, mas mostrar o seu ponto de vista, sempre que for necessário.

Ao dar início ao trabalho, Bárbara construiu um capítulo por vez, e, ao fazer as fichas de leitura, já as fez devidamente formatadas nas normas da ABNT, para poupar tempo. Outra dica da ex-aluna é aproveitar os finais de semana, feriados e férias para pôr em ordem as ideias, e redigir o conteúdo do TCC. De acordo com Bárbara, ao final do trabalho, é preciso revisá-lo muitas vezes, ter cuidado para não repetir palavras, verificar se as ideias estão claras, se as citações estão devidamente colocadas.

Bárbara não precisou virar as madrugadas fazendo o trabalho e até conseguiu entregar o TCC antes do prazo. “Tudo isso porque me organizei para não precisar me estressar no final”, lembra. Bárbara deixou para fazer apenas nas duas últimas semanas o resumo, sumário, introdução e conclusão, além da própria revisão. Mas, segundo ela, foi tempo suficiente para terminar tudo antes da data marcada para a entrega.

Distinção

Na apresentação de seu trabalho, Bárbara obteve o conceito de “distinção”, ou seja, a nota máxima, o sonho de vários estudantes. Para aqueles que pensam em obter tal feito, é preciso pensar em alguns detalhes. “Enquanto fazia o trabalho, não visava ganhar distinção, queria apenas terminar e ser aprovada”, conta. No entanto, Bárbara afirma que, com o passar do tempo e com a evolução do projeto, o desejo é de ver seu trabalho e empenho reconhecidos.

Pensando no objetivo de tentar uma distinção, o aluno deve fazer um trabalho bem escrito, que mostre claramente o objetivo da abordagem. Durante a apresentação para a banca, o aluno deve mostrar que tem domínio do seu trabalho. “Na minha apresentação, usei tópicos para lembrar o que iria falar, mas não fiquei lendo, é preciso saber de cor”, diz Bárbara, que explica que isso também se torna evidente no momento das perguntas feitas pela banca. “Você precisa estar confiante, defender o seu trabalho e tudo o que está escrito nele”, acredita a jornalista.

Serviço

Muitos não sabem, mas a Biblioteca da Unisinos disponibiliza aos alunos da graduação e pós-graduação o serviço gratuito de orientação às normas da ABNT. Professores também podem solicitar o serviço, que é realizado por dois bibliotecários e um auxiliar.

Segundo Eliete Mari Dancato Brasil, bibliotecária e responsável pelo setor de Serviço de Orientação às normas da ABNT, o estudante tem direito a 45 minutos de orientação por vez. A ajuda pode ser requerida várias vezes durante o ano, nos seguintes horários: na parte da manhã, às 9h, 10h ou 11h; na parte da tarde, às 14h, 15h e 16h. Nos meses de maio, junho, outubro e novembro, que são períodos próximos à data de entrega dos TCCs, o atendimento também ocorre à noite, nas segundas, terças e quintas, às 19h15min, às 20h15min e 21h15min.

Eliete diz que a orientação pode ser realizada em todo o trabalho ou somente alguns aspectos. “Damos orientação de estrutura, de como fazer o sumário e citações”, explica. Para aqueles que têm dúvidas mais pontuais, como referências e citações, pode enviar um e-mail para o endereço biblionormas@unisinos.br.

O serviço já está com a agenda lotada até 13 de maio. “O agendamento precisa ser feito com antecedência, pois há muita procura”, afirma a bibliotecária. A orientação deve ser marcada pelos telefones (51) 3590-8826 ou 3590-8829.

Auxílio

Além do auxílio sobre as normas ABNT, há também o serviço de apoio psicológico gratuito para os alunos que estão em situação mais desesperadora. O responsável por isso é o Grupo de Apoio aos Formandos em Situação de Stress, oferecido pela Unidade de Serviços Acadêmicos (USA), coordenada pela Gerência de Atenção ao Aluno (GAA).

Localizado no Atendimento Unisinos (antiga Central de Relacionamento), o serviço oferece aos estudantes ajuda durante o período de construção do TCC. Alunos de TCC I e TCC II de qualquer curso podem participar. Segundo o psicólogo César Karnal, que trabalha no Serviço de Atenção Acadêmico, a procura é grande. “Auxiliamos com orientações sobre formatação e, em muitos casos, de alunos em situação de ansiedade e estresse”, explica.

Os atendimentos, realizados em grupos, são feitos em três encontros. No primeiro, são discutidas as expectativas do grupo, e, a partir das ideias coletadas, é feito um planejamento para os encontros seguintes. No entanto, o aluno pode solicitar serviço individual.

Karnal menciona que a procura se dá pelos mais variados motivos. “Recebemos alunos com questões de formatação, dúvidas com o orientador e até mesmo com problemas de administração de tempo”, diz.

Para participar, é necessário agendar um horário. Os encontros ocorrem às quartas-feiras, das 18h30min às 19h15min. Os próximos já têm datas definidas: 30 de março, 6 e 13 de abril, e serão realizados na sala de Capacitação D (ao lado do Ambulatório). Os interessados podem marcar presença por meio dos e-mails vcesa@unisinos.br ou jback@unisinos.br. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3590-8833.


Vem gente! Todos aprende, todos usa (sic)

Ana Paula Figueiredo
Estagiária de Jornalismo

Os meios eletrônicos estão reinventando a gramática. Todos os dias novas abreviações e expressões pipocam no MSN, nas redes sociais e nas trocas de e-mail. O resultado é uma linguagem adaptada para a internet, o tiopês, utilizado pela primeira vez em meados de 2004, no Orkut.

Segundo uma definição encontrada na web, o tiopês é “uma nova forma de linguagem utilizada por diversas pessoas para se comunicar na internet de modo irônico. Com um jeito engraçado e ‘incorreto’, o tiopês é muito usado no Orkut, MSN, blogs e cada dia mais pessoas adotam essa linguagem”.

Também há os memes, que, de acordo com a Wikipédia, são “ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma”. Os memes também podem ser definidos como fenômenos da internet, e que se propagam rapidamente. Agora, o tiopês e os memes chegaram até o Twitter.

Febre no Twitter

Quem é usuário das redes sociais descobre diariamente novas piadinhas e maneiras de se expressar. Por meio das hashtags, frases ou expressões, os tuiteiros publicam suas opiniões, que muitas vezes tornam-se hits no Twitter.

Mesmo os que têm um bom domínio da língua portuguesa, quando desconhecem tais brincadeiras, correm o risco de se tornar analfabetos virtuais. Portanto, é preciso estar inteirado ou familiarizado com os assuntos.

Vários são os exemplos utilizados: quando um grupo de fãs da banda Restart não conseguiu assistir ao show, uma das meninas soltou a pérola: “Isso é uma puta falta de sacanagem”. Não demorou muito para a expressão virar febre na rede social. Para qualquer coisa que não respondia ao esperado, os usuários tuitavam uma frase acompanhada com a hashtag #putafaltadesacanagem. A mesma situação também popularizou a frase “vou xingar muito no Twitter”.

hashtags que representam ironia ou sarcasmo, como “Adoro os recados coloridos e piscantes no Orkut. #NOT”.

Para os preguiçosos, a frase ainda pode ser acompanhada da variação –n.

Quando os usuários do Twitter acham alguma coisa engraçada, tuitam o link, frase, expressão e, em seguida, acrescentam uma das opções de hashtags: #euri, #rialto, #rilitros. Essas, entre outras, já viraram clássicos na rede.

Quando se quer chamar a atenção de alguém para determinada coisa, usuários escrevem o tweet, acompanhado de #vemgente, ou simplesmente: vem, gente, como: “Muito bom o mais recente episódio de House. #vemgente”.

Novidade

Nos últimos dias, muitos usuários têm utilizado frases em que não há concordância entre o sujeito e o verbo. A nova mania começou com “todos chora”. Desde então, diversas pessoas estão usando e fazendo adaptações na frase, como: “todos bebe”, “todos come”, “todos tuíta”. As frases são escritas propositalmente de forma errada.

O site Youpix aponta que “todos chora” é uma típica expressão do tiopês.

Há quem diga que são necessários dois requisitos para ser adepto do tiopês: conhecer bem a língua portuguesa e ter um mínimo de talento. No entanto, muitos usam de forma indiscriminada e incorreta.

Segundo o site Topsy, que faz buscas em tweets, vídeos, e outros, um dos primeiros registros da frase “todos chora” ocorreu em 28 de novembro de 2010, no perfil @miyadzu. O tweet dizia: “Atenção: apreendido lançasperfume. Todos chora”. Porém, não se pode falar com precisão quando e onde a frase surgiu. Embora muitos desconheçam a origem, a frase tem feito sucesso na rede social.

A expressão se disseminou tão rapidamente que, ao fazer uma breve pesquisa num site de buscas de palavras-chaves em tweets, pode-se perceber que, em menos de um minuto, o número de resultados aumenta consideravelmente. No entanto, a frase já ultrapassou a barreira do Twitter e pode ser lida em perfis do Facebook, Orkut e blogs.

De acordo com o estudante de Jornalismo da Unisinos Thiago Souza de Souza, ex-estagiário da Agexcom, muita gente que usa, feito ele, nem sabe o significado e a origem da expressão.

“Virou ‘febre’. Começou com o ‘todos chora’, e desde então não parou mais. Todo mundo está usando e adaptando. No meu caso, uso quando quero comunicar alguma coisa que estou fazendo ou que outros estão fazendo”, explica.

Thiago procura se manter em dia com as gírias e expressões que surgem diariamente na internet. “Acho importante estar inteirado dos assuntos, principalmente no caso de estudantes e profissionais de comunicação”, avalia. “Essas expressões fazem parte de uma nova maneira de se comunicar, uma nova linguagem.”

O professor do curso de Comunicação Digital da Unisinos Tiago Lopes afirma que é importante assimilar pelo menos algumas dessas manias. “É uma cultura pop”, sublinha. “Independente do meu gosto, não posso fechar os olhos e ignorar que isso esteja acontecendo”.

Como professor de Comunicação Digital e tendo alunos cada vez mais jovens, Lopes diz que é preciso tentar compreender. Ele é adepto das gírias da internet, mas de maneira um pouco mais conservadora. “Uso de forma a indexar o conteúdo para facilitar a busca de outros. Mas não consigo ter tanta desenvoltura”, brinca.

Segundo ele, o que chama a atenção são esses erros. “Não sei se é um internetês mais bruto ou uma tosquice planejada”. Para Lopes, a propagação dos memes se dá de forma muito rápida: “É impossível mapear tudo”.

A professora do curso de Letras da Unisinos Cláudia Presser Sepé acredita que é importante conhecer essas invenções da internet. No entanto, diz ser necessário haver um contexto. “O meio determina essas transformações. A linguagem deve ser adequada ao meio”, explica. “Mas não deve ser transposta para outros meios.” Como professora da disciplina de português, Cláudia diz que sua postura faz parte do seu “crivo de papel institucional”.

Controvérsias

Para além dos modismos, há questionamentos: esse tipo de informação na web está ao alcance de todos, ou apenas pessoas relacionadas à comunicação conhecem tais expressões? O estudante Thiago diz que a pergunta é pertinente.

“Concordo que o pessoal da comunicação esteja sempre bem informado sobre as manias da internet. Mas não só eles. Quem passa muito tempo na web, principalmente quem é usuário de redes sociais, acaba se inteirando e fazendo parte das novas manias”, comenta.

Para o professor Lopes, essas linguagens não ficam restritas ao pessoal da comunicação. “Essas expressões e brincadeiras são coisas de usuários da internet que transcende a comunicação. Quem usa são mais jovens do que os graduandos, normalmente do ensino fundamental e médio”, explica.

Breve dicionário do Tiopês

Com o uso do Twitter, Orkut, MSN, entre outros, muitas são as frases e expressões que se disseminaram pela rede. Para aqueles que ainda não conhecem, ou mesmo não ouviram falar, abaixo, uma breve explicação das mais famosas e utilizadas expressões, frases ou memes.

#ALOKA – Expressão usada pela comunidade GLBT e popularizada pela personagem Katylene, em seu blog. É uma maneira diferente de escrever “a louca”. Utiliza-se quando se faz ou fala alguma coisa que algumas vezes não condiz com a realidade, como: “Gente, vou comprar 3 Ferraris e já volto. #ALOKA”.

TENSO – É quando se está numa situação de tensão. Exemplo: “Suzana Vieira lançou um cd. TENSO”.

Aham Cláudia senta lá – A frase foi descoberta no vídeo de um antigo programa da Xuxa e tornou-se popular na web. É escrita de forma a representar ironia, como: “Meu irmão quer que eu passe suas roupas. Aham Cláudia senta lá”. É como dizer: “vai sonhando”.

#prontofalei – É utilizada para representar indignação, como: “Não aguento mais BBB. #prontofalei”.

#vergonhaalheia – Sabe aqueles momentos em você sente vergonha por outras pessoas ou situações? Pois é, a expressão aplica-se nesses casos. Exemplo: “Vanuza esquece mais uma letra de música. #vergonhaalheia”.

#partiu – É usada quando alguém quer dizer que vai ficar off-line no Twitter, como: “Vou estudar. #partiu”.

#fail – Utilizada quando se faz alguma coisa que não deu muito certo. Exemplo: “Fiz chapinha para sair e chove. #fail”.

Morri – Usa-se quando se quer expressar uma opinião, tanto boa, quanto má. Depende do contexto. Exemplo: “Sandy é a nova musa da cerveja Devassa. Morri”.

amg – Abreviação de amiga ou amigo. Pode ser usada sempre que se quer chamar alguém de amiga (o).

Brinks – Abreviação de “tô brincando”. Pode ser utilizada como no exemplo: “Estourei o limite do seu cartão de crédito, tá, pai? Brinks!”.

Comofas – Expressão típica do tiopês. É a junção de “como fazer”, e é utilizada em situações em que se está precisando de ajuda ou orientação. Exemplo: “Preciso converter um arquivo do Word em PDF. Comofas?”.

-q – Abreviação de “o quêêê?!”. Representa uma frase com espanto. Exemplo: “Luciana Gimenez vai apresentar programa jornalístico. –q”.

Tem que ver isso aí – Teve origem em um vídeo postado num fórum de tecnologia. Usa-se a frase para indicar que algo precisa ser analisado de forma mais clara. Exemplo: “O Twitter fica baleiando toda hora. Tem que ver isso aí”.

Corrão – Surgiu por acaso no blog Te dou um dado. A escrita de forma incorreta não foi proposital. Logo o blog optou por adotar a palavra, que desde então se espalhou pela web. Deve ser usada como no exemplo: “Começaram as vendas de ingresso para o show do U2. CORRÃO!”.

Significa – A palavra foi usada por Ronnie Von, em resposta a uma carta enviada ao seu programa. Um rapaz perguntava se gostar de homens significava ser gay. A resposta do apresentador foi a afirmação “significa”. É usada para indicar que alguém dá sinais de que ainda não definiu sua sexualidade. Exemplo: “Meu vizinho faz coreografia da Madonna. Significa”.

Galere – O mesmo que galera.

Fikdik – Abreviação de “Fica a dica”. Como usar: “O novo filme de Javier Bardem é muito bom. Fikdik”.

Vdd – Abreviação de “verdade”. Exemplo: “vdd RT @anamaria Semana longa!”.

#epicwin – Quando se faz uma coisa muito boa. Exemplo: “Não estudei nada e tirei 10 na prova. #epicwin”.

LOL – A palavra também é comum na internet. Iniciou no Usenet, mas logo se disseminou em outros meios mediados por computador, como os programas de mensagens instantâneas Yahoo!, MSN, entre outros. A sigla significa “laugh out loud”, que em português quer dizer algo como “rindo muito alto”, ou ainda “lots of laughs” – um monte de risos. Pode ser escrita nas mais diversas variações: Lol, loL, LoL, LOL, LOl, lol, e ainda /o/, \o\, /O/ e \O\.

Enquanto essa matéria estava sendo produzida, mais uma expressão surgiu entre os internautas. No perfil fake da Nair Bello no Twitter, lançaram a frase: “Ronaldo, fica, vai ter bolo!”, uma campanha para o jogador não se aposentar. E, como sempre, já sofreu diversas adaptações. Usa-se quando se quer tentar convencer alguém de alguma coisa.

* A imagem da capa faz referência a mais um tipo de meme da internet, o Troll Face.


Portal3 entrevista Ricardo Noblat

Thiago Souza de Souza
Estagiário de Jornalismo

Pensando na volta às aulas, o Portal3 preparou uma entrevista exclusiva com Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro. Noblat é autor de A arte de fazer um jornal diário, livro que é tido como um manual para estudantes de jornalismo.

O jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, foi editor-chefe do Correio Braziliense, em Brasília. Na sua gestão, o jornal passou por uma grande reforma, que é narrada em A arte de fazer um jornal diário.

Atualmente, aos 61 anos, Noblat cuida de um blog que leva seu nome, hospedado no site do O Globo, e tem uma coluna semanal no jornal impresso.

Portal3 – No livro A arte de fazer um jornal diário, você fazia uma análise pouco animadora sobre o jornalismo contemporâneo brasileiro: jornais tentando seguir o modelo fragmentado da web, pouco aprofundamento, falta de reportagens mais investigativas, repetição de notícias e modelos. Passados quase 10 anos, você acredita que o quadro geral se alterou? Se mudou, foi para melhor ou para pior?
Ricardo Noblat – O quadro geral permanece o mesmo. Talvez tenha piorado. As reportagens mais investigativas escassearam, por exemplo. Como a internet avançou, os jornais trazem cada vez menos novidades. Proliferaram as colunas – a Folha tem mais de 100. E boa parte delas é ruim. Só serve para ocupar espaço.

Portal3 – O que, no seu entender, provoca a mesmice que se repete diariamente nos grandes jornais brasileiros? Isso, em parte, pode ser atribuído a uma preguiça de repórteres e editores?
Noblat – Falta de investimento em profissionais mais qualificados – e que por isso custam mais caro. Falta de imaginação dos editores. Falta de ousadia – medo de correr riscos.

Portal3 – Você acredita que a revista Piauí, em alguma medida, contempla aquele tipo de jornalismo que você propunha em A arte de fazer um jornal diário: mais aprofundado, com textos mais trabalhados, com pautas menos óbvias? Você é leitor da revista?
Noblat – Um jornal diário não sobreviveria se fosse feito com base em textos longos. Textos menores podem ser tão bons quanto. O que importa num texto é sua qualidade – não o número de linhas. Sou leitor da revista, sim. Mas sua pauta já foi mais criativa.

Portal3 – Em certa medida, 2010 pode ser considerado um ano paradigmático na cobertura jornalística das eleições. Houve uma série de novidades, como a polarização explícita, o Estadão assumindo seu apoio a uma das candidaturas, a influência do Twitter e das redes sociais, inclusive na definição das pautas de campanha. Como você avalia a cobertura jornalística da eleição 2010?
Noblat – No geral foi pobre. Faltaram reportagens. A pauta da mídia foi ditada pelo marketing dos candidatos. Em eleições passadas foi assim também. De resto, a mídia se deixou patrulhar por partidários de um lado e do outro. Ficou receosa. E isso também influiu no seu desempenho.

Portal3 – Gostaria muito de saber como é o processo cotidiano de construção do seu blog. Você trabalha com uma equipe? Tudo passa pelo seu crivo? É você mesmo que atualiza o blog e o Twitter? Os tuítes que entram às cinco da madrugada são previamente programados ou feitos na hora? Como funciona o trabalho com os colaboradores eventuais?
Noblat – No blog somos eu e um repórter. No twitter somente eu. Nada agendo no twitter. No blog agendo os artigos de colaboradores. Estou sempre à caça de novos colaboradores. Vou dormir diariamente em torno das 4 ou 5. Acordo por volta das 11h. Emendo até a madrugada seguinte. Estou cada vez mais cansado. E não sei por mais quanto tempo aguentarei esse ritmo. Em quase sete anos de blog, tirei férias somente duas vezes. A primeira de 15 dias. A segunda de 10.

Portal3 – Como é a sua relação com os leitores do blog? Quanto tempo você dedica diariamente para isso? Que importância você atribui a essa forma de diálogo? Quando o diálogo vira debate?
Noblat – Já interagi mais com os leitores do blog. Agora interajo via twitter. Penso que leitores de blogs estão migrando para o twitter – e dali, a depender dos assuntos, voltam ao blog. O blog alimenta o twitter que alimenta o blog.

Portal3 – Como você se informa? Como é a sua rotina de leitura e escuta?
Noblat – Falei um pouco dela em resposta anterior. Acrescento que pelo menos três vezes por semana almoço ou janto com fontes de informações. E que passo boa parte do dia pendurado no telefone em busca de notícias. Trabalho com a TV ligada. Em ocasiões especiais, vou cobrir determinados assuntos onde eles acontecem. Foi assim com a posse de Dilma, por exemplo. Foi assim com todos os debates entre os presidenciáveis no ano passado.

Portal3 – Como você filtra as informações e as pautas que recebe?
Noblat – Com base na intuição e experiência.

Portal3 – Como é ser repórter nos dias atuais em comparação com o repórter de dez anos atrás?
Noblat – Os repórteres de hoje são mais sobrecarregados. E ganham menos. O contrário acontecia no passado. Os repórteres de hoje leem menos e dependem mais do telefone e da internet. No passado, os repórteres íam mais para as ruas.

Portal3 – Você é contra ou a favor da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão? O que falta discutir nesse campo?
Noblat – Sempre fui favorável ao diploma como um meio de qualificar mais o profissional. Mas sempre fui contra sua obrigatoriedade. Ainda penso assim.

Portal3 – Para estudantes de jornalismo, em processo de formação, o que você recomenda?
Noblat – Leiam muito, muito mesmo. Leiam tudo. E reescrevam suas matérias muitas vezes. Nunca fiquem satisfeitos com elas.

Portal3 – Você mencionou a proliferação de colunas. Aqui no estado, também a Zero Hora ampliou muito o seu número de colunistas. O que, em sua opinião, uma coluna deveria ter de diferente para fazer diferença?
Noblat – De diferente? Leituras originais sobre o tema tratado. Sei que não é fácil. Mas se não for assim não vale a pena. Inventam-se colunas porque elas custam mais barato. Porque elas preenchem espaços que à falta delas teriam de ser preenchidos por matérias – o que exige mais repórteres.

Portal3 – Queria insistir nessa pergunta: eventualmente a conversa com os leitores vira debate? O debate é sempre bem-vindo?
Noblat – Claro que sim. Os jornalistas perderam o monopólio da informação e da opinião. Boa parte do jornalismo, hoje, está mais para conversa – troca de ideias entre jornalistas e leitores, leitores e leitores. Quem ignorar isso se dará mal.

Portal3 – Que leituras você recomendaria? Você pode citar alguns títulos?
Noblat – Todos os livros de Gabriel Garcia Márquez, por exemplo. Toda a coleção sobre jornalismo da editora Companhia de Letras. Machado de Assis. Graciliano Ramos. E por aí vai.


A arte de desenhar páginas

Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo

O jornalismo contemporâneo oferece uma vasta gama de atuação. Muitos se interessam por TV, rádio, impresso, online… Mas há outra escolha, que muitas vezes nem é considerada pelos futuros profissionais: a diagramação. Sem perceber, jornalistas recém-formados estão abrindo mão de um nicho que poderiam explorar.

Quem vê um mercado promissor na área é o professor de Jornalismo Carlos Jahn. Para ele, mesmo que alguns ditem um possível desaparecimento dos meios impressos, há alternativas cada vez mais numerosas. “Os dispositivos móveis e a digitalização estão ampliando as demandas”, explica Jahn. Além disso, o docente, que ministra disciplinas de Planejamento Gráfico no curso de Jornalismo da Unisinos, cita três outros ambientes que requerem hoje a atuação do diagramador: a televisão, objetos para Educação a Distância (EaD) e a própria internet.

Diagramar: por onde eu começo?

Para a jornalista Ana Cristina Machado, que hoje integra a equipe de diagramação do jornal O Globo, no Rio de Janeiro, essa é uma área em expansão: “Sempre vai ter espaço para quem é talentoso, dedicado e tem metas na vida”.

A diagramadora ressalta que esse mercado não foi sua primeira escolha na carreira: “Fiz Jornalismo achando que um dia seria repórter esportiva”. Porém, a jornalista encontrou na diagramação uma área de interesse e afinidade. A carreira começou dentro do próprio ambiente universitário. Em 2001, a profissional foi contratada pelo jornal O Sul. Quatro anos mais tarde, integrava a equipe de Zero Hora. Um ano atrás Ana Cristina foi chamada para ser diagramadora do jornal carioca.

Para aqueles que querem ingressar nesse mercado, a formação e domínio das técnicas e ferramentas é importante. O professor Carlos Jahn explica que alguns conhecimentos são vitais. “O jornalista necessitará conhecer campos como o do design gráfico e de arte, entender como o design de diferentes plataformas dialoga.” De acordo com Jahn, saber quais são as grandes tendências culturais do mundo também auxilia na criação.

É de conhecimento geral – ao menos para quem já passou por alguma disciplina ou curso sobre o assunto – que a principal ferramenta a ser dominada pelo diagramador na atualidade é o InDesign. Ana Cristina concorda, mas fala que em alguns lugares isso pode ser diferente, dependendo da proposta. O Globo usa um programa italiano, o GoodNews. A base dele tem menos variantes que o aplicativo da Adobe; mas, de acordo com a diagramadora, ele é mais rápido que o concorrente, sendo direcionado para jornais de fechamento diário.

Além do próprio InDesign, ferramentas de edição de imagem (como o popular Photoshop), criação de imagens (como o Ilustrator e o CorelDRAW) e até mesmo modelagem em 3D (Maya, 3D Studio) são válidas para tornar o trabalho mais rico.

Mesmo que as ferramentas possam mudar, o professor Jahn aponta que algumas coisas não mudam. “Iniciei na atividade no final dos anos 70”, conta. Ainda não havia computador, e, desde então, ele já conta cinco mudanças de plataforma. O docente diz que, assim como o InDesign substituiu outros programas, como o Page Maker e o Quark Xpress, ele também será substituído cedo ou tarde. “O que segue ainda”, sublinha, “é o giz ou lápis para fazer o esboço inicial”.

Internet, uma ferramenta poderosa

Como citado anteriormente, a web é um elemento importante no campo da diagramação. Ana Cristina lembra que, para os profissionais, serve principalmente como ferramenta de pesquisa, comparação e atualização. Muitos sites são direcionados para a área, como o Design on the Rocks, com inovações gráficas em diferentes ramos. Outro, citado pela diagramadora, é o Faz Caber, que oferece um acompanhamento da escolha de cada capa da revista Época.

“As publicações impressas precisam incorporar, em seus projetos gráficos, elementos do design das páginas da internet”, fala o professor Jahn, sobre a necessidade de adaptação aos ambientes virtuais. De acordo com o docente, essa alternativa está se tornando cada vez mais comum no meio editorial.

Para Carlos Jahn, essa semelhança com endereços da rede é parte da tendência atual na diagramação. Ele também destaca a valorização das imagens, dos espaços em branco e o uso cada vez maior de infográficos. Mesmo a tipografia lembra a Web. “Os jornais se tornaram muito parecidos com revistas nos últimos anos”, esclarece. E Ana Cristina reforça essa idéia, lembrando da relação cada vez mais estreita entre o diagramador e a editoria de arte dos impressos.

Desde a queda da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo, em ação do STF em 2009, a diagramação no espaço jornalístico abriu também espaço para outros profissionais, como técnicos em Desenho Industrial ou Design Gráfico. Ana Cristina afirma que este aspecto varia muito entre as regiões do país. “Em Zero Hora, dos 20 diagramadores que existiam lá, dois não são jornalistas”, explica. Ela relata que a situação no Rio de Janeiro é diferente. “Aqui no O Globo, dos 20 que temos, apenas dois são jornalistas.” Ela diz que, em terras cariocas, a redação e a diagramação não possuem uma relação tão íntima. O trabalho é conjunto, mas as funções de cada área são bem mais definidas.

No final das contas, a jornalista afirma que, tendo diploma ou não, a qualificação é determinante: “Para pessoas qualificadas o mercado estará sempre de braços abertos”.


ABNT: não é um bicho de sete cabeças

Marcelo Grisa
Estagiário de Jornalismo

Janeiro e fevereiro. O tempo é de férias, mas muitos alunos, principalmente os próximos da colação de grau, devem estar pensando em seus Trabalhos de Conclusão. Mesmo para aqueles que têm suas ideias e pesquisas adiantadas, ainda há um elemento extra que causa temor em muitos universitários: a normatização dos trabalhos, onde entram as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), obrigatórias para os TCCs. Elas dizem como deve ser um trabalho acadêmico, da capa às referências, passando pela própria organização das páginas: margem, notas de rodapé, numeração dos capítulos, entre outros pontos pertinentes.

Engana-se quem pensa que a associação apenas rege os textos acadêmicos. As regras para Trabalhos de Conclusão, artigos científicos e outras publicações são decididas pelo CB-14 – Comitê Brasileiro de Informação e Documentação. Há inúmeros outros, incluindo um que estabelece as normas de fabricação de cadeiras de praia (nº 98). A ABNT existe desde 1940, é uma entidade privada sem fins lucrativos que se responsabiliza pela normalização técnica nos mais diferentes setores em todo o país.

O comitê 14 envolve bibliotecários, professores e pesquisadores. As reuniões ocorrem a cada três meses, durante dois dias, em São Paulo. Nelas, são expostas dúvidas e recomendações que podem ser trazidas tanto pelos representantes do conselho quanto enviadas ao site da associação. A partir das conclusões do grupo, são realizadas ementas ou mudanças no conjunto de normas; enquanto as ementas são apenas erratas, não necessitando uma nova versão do documento completo, as mudanças exigem novas versões, para haver a adequação entre as regras já existentes.

“Qualquer pessoa que tenha interesse e conhecimento da área pode participar (das reuniões)”, afirma a superintendente do CB-14, Rosa Maria Correa. Segundo ela, isso por vezes dificulta o trabalho do comitê devido à falta de comprometimento. Após três ausências, a pessoa poderá apenas participar dos encontros como ouvinte. Ela ressalta que todo o trabalho das comissões é voluntário, não somente da ABNT mas também em todas as agências normalizadoras do mundo, incluindo a ISO.

Ao ser questionada sobre as constantes mudanças nas normas da ABNT, a bibliotecária do setor de referência da Unisinos Eliete Brasil conta um pouco da história do conjunto de regras para trabalhos acadêmicos. “Algumas normas de documentação foram criadas em 1989, mas as atualizações só começaram a partir de 2002”, explica. Ela alerta para mudanças que devem entrar em vigor já no início deste ano, principalmente no que diz respeito à impressão dos trabalhos: “Agora eles vão poder usar a frente e o verso das folhas, e também poderão ser impressos em papel reciclável”. Eliete ainda lembra que a ABNT é baseada na ISO (a associação é um dos membros fundadores do órgão internacional de normatização, que hoje está presente em 170 países).

Rosa Maria Correa explica que o critério base de mudanças nas normas da ABNT e da ISO é de 5 anos. Nem sempre esse prazo pode ser cumprido, principalmente quando há muitos questionamentos. Ela cita a norma NBR 14724 – Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. A superintendente lembra que foi acrescida a ela uma emenda em 2005, e a revisão só ocorreu em 2010, respeitando o tempo normal para as mudanças. “Mas como o tempo passa rápido é comum que docentes achem que elas são revistas com frequência muito maior”, aponta. As mudanças sempre entram em consulta no site da ABNT, e o usuário pode participar da votação apenas fazendo um cadastro no endereço, o que é gratuito.

A biblioteca do campus oferece durante todo o ano orientação nas normas da ABNT. Pode ser agendado um horário de aproximadamente 45 minutos, durante os turnos da manhã ou da tarde, no qual a pessoa – o serviço é disponível a qualquer um que tenha vínculo com a Unisinos (alunos, professores e funcionários) – leva o documento que precisa ser analisado em uma pendrive. Ele recebe informações de como proceder com vários pontos do trabalho que podem estar em desacordo com a norma. Atualmente, Eliete avalia que um dos problemas dos alunos é a referência digital: “Os alunos precisam verificar quem é o autor, entre outras informações necessárias, não apenas o site visitado”, frisa. Dúvidas mais específicas podem ser tiradas através dos telefones 3590-8826 e 3590-8829 e do email biblionormas@unisinos.br. Uma adaptação das regras para uma boa compreensão também pode ser encontrada no site da Biblioteca Unisinos.

Para que os alunos não entrem nos trabalhos finais sem pensar numa zona nebulosa de normatização, a Unisinos oferece mais opções. A própria biblioteca, em parceria com o Ensino Propulsor da universidade, oferece duas oficinas sobre a ABNT; uma de teoria e outra sobre a prática, ambas com duração de três horas cada. Algumas das graduações, principalmente aquelas com cadeiras de Metodologia, como Direito e Letras, por exemplo, convidam a profissional a apresentar a ABNT em suas aulas. Eliete aprecia o chamado, pelo benefício que traz ao aluno. “Melhora a bagagem, os alunos vêm mais seguros, e temos menos dúvidas e mais pontuais quando eles precisam vir aqui no final do curso”, esclaresce.

A atividade da bibliotecária tem seus pontos de maior intensidade, e é necessária uma ajuda extra: “Temos também mais uma bibliotecária que vem nos ajudar durante os meses de entrega de trabalhos de conclusão”. Isso ocorre nos meses de abril, maio e junho, no primeiro semestre, ou setembro, outubro e novembro, no segundo. Segundo a bibliotecária, somente em 2010/2, 3446 alunos foram atendidos.

Por isso, Eliete aconselha que os alunos não deixem tudo para o período de entrega dos trabalhos. O objetivo atual é conscientizar os estudantes da importância da ABNT. Ela alerta que cada aluno só pode agendar dois horários durante todo o período que antecede a entrega de Trabalhos de Conclusão. Antes disso, havendo horários disponíveis, há espaço para tirar todas as dúvidas e deixar seu trabalho normatizado de acordo com as normas da ABNT.

Para a formanda em Jornalismo Natália Cagnani, não houve dificuldades, já que o trabalho foi pensado na ABNT desde o início. Ela fez uso do material da biblioteca da Unisinos, não precisando assim se preocupar na reta final. “Como é um trabalho que você está se esforçando para fazer o melhor, acho importante que o próprio autor cuide da formatação”, explica.

Atualizado às 16:14 – 13/01/2011


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